sábado, 26 de janeiro de 2013

Impressões - Django Livre



Por: Augusto Brasil          

Uma dupla mais do que fora do convencional agitou o Velho Oeste norte americano. Quem diria que a parceria entre um dentista alemão, que agora trabalha como um caçador de recompensas, e um escravo recém liberto, em busca de sua esposa, renderiam um longa tão interessante? O carismático Dr Schultz, estrelado por Christoph Waltz, arrancou a todo o momento risadas da platéia. O personagem é tão carismático que até mesmo o seu cavalo, Fritz, é simpático, sempre respondendo quando apresentado. Já Django (Jamie Foxx) ficou um pouco escondido no filme tendo o seu momento de glória apenas no final. Talvez isso tenha ocorrido devido a atuação brilhante de Christoph Waltz, mas vale ressaltar que Jamie Foxx também cumpriu bem a sua missão.

            Preconceito, intolerância, orgulho e inveja são alguns dos pontos que foram discutidos de maneira bem sutil e muitas vezes representados apenas por olhares. Tarantino conseguiu mostrar que o preconceito é um mau que está inserido também dentro das próprias minorias. Isso ficou muito claro nas ações do Sr.Stephen (Samuel L. Jackson), que talvez seja o mais preconceituoso de todos os personagens. E ainda há os outros exemplos de escravos que invejavam e cobiçavam a posição onde se encontrava Django, já que ele era um negro que tinha o privilégio de andar a cavalo. Esse detalhe é mostrado na troca de olhares nada amistosos entre Rodney (Sammi Rotibi) e Django, na viajem para Candyland.
           
            Outro ponto importante são os detalhes. A cena que mais me chamou a atenção foi a morte do último dos três irmãos criminosos. A sequência ficou simplesmente espetacular! E dou a minha cara a tapa se mais ninguém saiu com vontade de “tomar uma gelada” depois do close nas canecas de chopp preparadas logo no início do filme pelo Dr. Schultz.

            Tive a ligeira impressão de que os cinco ou dez minutos, na parte final, em que Django é conduzido à pedreira como punição pela chacina em Candyland foram desnecessários, e quebraram o ritmo do filme. Mas assistindo por uma segunda vez pude perceber que na verdade é um momento importante, onde se mostra que Django aprendeu muito bem a sua lição com o Dr. Schultz, já que usa dos mesmos artifícios de seu mentor para escapar da situação. Até mesmo os trejeitos do velho Doutor são notados em Django.

            Em fim, com diálogos interessante, ótima trilha sonora e ações nada previsíveis, Django Livre acaba sendo uma ótima diversão e uma denuncia da ignorância humana. O filme nos lembra de um passado triste em que pessoas eram negociadas como mercadoria. E a vida humana valia muito pouco. O personagem de Cristoph Waltz deixa isso muito claro ao dizer nas entrelinhas que mesmo sendo contra o mercado de escravos, o trabalho dele como caçador de recompensas não era muito diferente, já que o produto de seu ofício também eram vidas humanas. 
 


Um comentário:

  1. Eu ia deixar minha impressão sobre o filme também, mas gostei tanto da do Augustin que faço dele as minhas palavras.

    O filme é realmente muito bom, pra quem curte o estilão do Tarantino então...prato cheio.
    Eu que não sou fã do estilo faroeste, adorei esse (Bravura Indômita também foi um que gostei, mas diferente disso aqui, claro).

    Toque de humor, sarcasmo, crítica e violência...DJango é mesmo muito recomendado.

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